Sem máscaras

Esse blog é uma espécie de "reclamário"que construí cá online. Com comentários sobre cultura, comportamento, um pouco de política. Opinião. Ironia. Os temas são amplos: o que der na telha, entre livros, músicas, videos, séries de tv, um e outro filme, papos de boteco, enfim - aquilo de que nos ocupamos na web e na vida.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Quando passará minha nave?


Pertencimento

Os dicionários apresentam vários significados para o verbo pertencer dentre os quais interessa o significado ser parte do qual deriva a palavra pertencimento.

Pertencimento, ou o sentimento de pertencimento é a crença subjetiva numa origem comum que une distintos indivíduos. Os indivíduos pensam em si mesmos como membros de uma coletividade na qual símbolos expressam valores, medos e aspirações. Esse sentimento pode fazer destacar características culturais e raciais.

A sensação de “pertencimento” significa que precisamos nos sentir como pertencentes a tal lugar e ao mesmo tempo sentir que esse tal lugar nos pertence, e que assim acreditamos que podemos interferir e, mais do que tudo, que vale a pena interferir na rotina e nos rumos desse tal lugar.


Quando passará minha nave?

domingo, 4 de abril de 2010

Ponto de Vista.

Feriados prolongados são ótimos para a gente descansar, viajar, visitar amigos, passear, inventar mil programas. Pelo menos essa é a concepção que muita gente tem quando se programa para aproveitar os dias de folga. Enfrentar horas de trânsito, ficar numa casa de praia cheia de gente e encarar lugares turísticos lotados parece ser um prazer para quem espera com ansiedade todos os feriados do ano.

Sou diferente. Feriado, para mim, é a chance de descansar do dia-a-dia. Posso até viajar, mas com certeza não é para nenhum lugar lotado em que o pedido de uma cerveja vai demorar meia hora para ser atendido. Esse feriado, assim como muitos outros, passei em casa lendo, assistindo filmes e curtindo o bom e velho rock'n roll, enfim, realmente descansando.

Hojeum amigo me perguntou o que eu havia feito e, quando descrevi meus dias, veio a exclamação:

- Mas então você não fez nada?

Achei interessante a colocação dele. Assisti filmes (que normalmente não tenho tempo de fazer por causa da correria rotineira), ler livros que estavam esperando a chance de serem abertos e conversar com pessoas que nunca encontro online porque temos horários diferentes, na concepção desse amigo, é não fazer nada. Ele havia ido para praia, enfrentado um congestionamento, demorado cinco horas (num trajeto que normalmente levaria três), ficado numa casa com sei lá mais quantas pessoas (pelas fotos parece um acampamento de guerra), feito o caminho de volta em seis horas, e disse que estava morto, mas que havia valido a pena. “Ah, eu realmente aproveitei a minha folga!”

Aí me vem aquela reflexão clichê sobre a natureza humana. O que para ele havia sido um programa ótimo, para mim seria um inferno na terra, já que eu não gosto de praia, nem de calor, e muito menos de me amontoar em uma casa e dormir mal acomodada. Esse é meu jeito. Mas não critico quem goste desse tipo de programa.

Fico espantada em ver que as pessoas acham que um fim de semana passado em casa, sem fazer nada, é desperdiçado. A necessidade de sempre haver uma programação causa até mesmo um stress. Vejo amigos que se angustiam se, chegando a quinta-feira, ainda não têm nada planejado para o fim de semana todo. Quando é feriado então, se não há viagem marcada ou algo do gênero, o stress fica maior ainda. Já cheguei a escutar alguns falarem que, para ficar em casa, preferiam estar trabalhando. Assim, se não dá para cansar na estrada, o feriado não tem graça. Aproveitar o tempo de outra maneira está fora de cogitação.

Acredito que o ócio bem aproveitado também traz descanso à mente. Apesar de não ter saído de casa, viajei por mundos diferentes através dos livros que li e filmes que assisti. Voltarei renovada ao trabalho, descansada e, principalmente, enriquecida em conhecimento. Pode ser que, para muitos, eu tenha desperdiçado dias que seriam mais aproveitados em uma viagem. Para mim, a viagem interior foi perfeita e me fez bem. Com um adicional: não enfrentei um trânsito de horas para chegar em minha casa. A minha mente foi minha estrada.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Aos que se acham.....

"Terminado o jogo, o rei e o peão voltam à mesma caixa"


Provérbio italiano

Realidade distorcida




Essa semana assisti um pequeno pedaço da novela “Viver a Vida”, coisa que raramente faço porque normalmente minha televisão fica ligada com o dvd só rolando shows de Rock´n Roll da melhor qualidade.

Pelo pouco que vi a maior falha dessa novela está exatamente na personagem Luciana, que muita gente vem elogiando como um exemplo para que os tetraplégicos vejam que é possível levar uma vida feliz após um acidente como o dela


O médico que a acompanha a tetraplégica, só falta ficar 24 horas do dia na casa dela. Tudo bem que há o interesse romântico, mas mesmo assim, é atenção demais. Aliás, aquele hospital deve ser o desejo de todo profissional de saúde: todo mundo bonito, com os jalecos impecáveis, sempre tomando café. As terapeutas são perfeitas. E, claro, para trazer a garota para casa, basta fazer as adaptações arquitetônicas corretas, que tudo está resolvido. Simples!

Será mesmo? Na vida real, quantas pessoas que ficam tetraplégicas, ou mesmo paraplégicas, têm condição de fazer todas as adaptações exigidas para que a casa se torne um local de fácil locomoção? Quantas podem arcar com os custos de fisioterapia todos os dias para recuperar os movimentos? Quantos médicos se envolvem tão profundamente com a pessoa acidentada?

Acho ótimo que as dificuldades dos cadeirantes sejam mostradas. Porém, acho que seria mais eficaz se o autor mostrasse situações mais plausíveis com a nossa realidade: os convênios que negam sessões de fisioterapia, as dificuldades de se movimentar numa casa não adaptada para cadeirantes, a verdadeira lentidão da recuperação de quem sofre um acidente como o da personagem. A novela deveria refletir a regra, e não a exceção. Assistindo a um capítulo, me veio a sensação de que tudo parecia simples demais para quem está passando por um problema tão sério.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Só por Hoje

Ainda bem que tem pessoas que escrevem por nós.

Só por Hoje
Renato Russo

Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu espero conseguir
Aceitar o que passou e o que virá
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz.

Hoje eu já sei que sou tudo que preciso ser
Não preciso me desculpar e nem te convencer
O mundo é radical
Não sei onde estou indo
Só sei que não estou perdido
Aprendi a viver um dia de cada vez.

Só por hoje eu não vou me machucar
Só por hoje eu não quero me esquecer
Que há algumas pouco vinte e quatro horas
Quase joguei minha vida inteira fora.

Não não não não
Viver é uma dádiva fatal,
No fim das contas ninguém sai vivo daqui mas -
Vamos com calma!

Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu não vou me destruir
Posso até ficar triste se eu quiser
É só por hoje; ao menos isso eu aprendi.